Ensino Superior | O que é que cinco anos na universidade me ensinaram

2621. Ensino Superior = Ensino Secundário
Reclamem o que quiserem à vontade, mas como cada um tem as suas próprias experiências, eu vou continuar com a minha ideia de que não existem grandes diferenças entre os Ensinos Secundário e Superior, para além do óbvio aumento de dificuldade – or not.

Professores que pouco ou nada querem ali estar? check e check
Professores que não sabem ensinar? check e check
Competições infantis que nem os miúdos de cinco anos têm? check e check
Quem se comporte como se ainda tivesse 10 anos? check e check

De um modo geral, eu não consigo encontrar grandes diferenças entre os dois tipos de ensino. Se calhar sou só eu que tive más experiências, mas a porcaria de ambiente que existia na minha Secundária continuo a registar-se até ao final da minha Licenciatura. Dizer que somos adultos a partir do momento em que fazemos 18 anos é uma grandíssima treta. A quantidade de vezes que eu não vi alunos de 20 e tal anos a comportarem-se como se fossem crianças; e isto já para não falar de uns quantos trintões. E continuo sem perceber qual é o ponto de tratar os outros abaixo de cão só para se sentirem superiores. Quando é que as pessoas percebem que isto só os faz sentirem-se mais vazios a longo prazo? É um conceito assim tão difícil de entender, como o facto de “não” significar “não”?

E isto já para não falar de alguns professores que são uma miséria, e da porcaria dos currículos que nos são dados como cursos. Escolhas nem vê-las nalguns cursos. E os professores que nos transmitem conhecimentos e paixão por aquilo que leccionam são, infelizmente, uma minoria da minoria da minoria. Para variar isto é a mesma coisa que nos dizerem que se f**a o vosso futuro.

2. Mas até que são alguns dos nossos melhores anos
Disso não há dúvida. Pelos conhecimentos que ainda conseguimos adquirir dos nossos professores – vocês sabem, aqueles anjos que nunca recebem reconhecimento por isso, mas que na realidade adoram o que fazem e estão ali para nós -; pelos fantásticos investigadores que temos a oportunidade de conhecer; pelas experiências pelas quais passamos, quer com outros ou sozinhos; pelas boas e más decisões que tomamos; pelas pessoas que conhecemos e, pelos amigos que fazemos.

É talvez um comentário algo cliché mas eu acredito que dá para crescer imenso com os anos que passamos na universidade – mas está claro, infelizmente estas ondas de choque não parecem atingir todas as pessoas. É sobretudo responsabilidade extra que se ganha. E para os que de nós têm a oportunidade de se mudarem para uma nova cidade, dentro ou fora do seu país de origem, não há nada melhor para nos tornarmos verdadeiros adultos, já que não temos a zona de conforto ali ao virar da esquina para nos fazer a papinha toda. E para já, até digo que é uma óptima fase da nossa vida para fazermos grandes amizades, algumas provavelmente que durarão para o resto das nossas vidas.

3. Não há cadeiras difíceis
Desculpem-me lá mas tendo estado em dois cursos diferentes, um deles até numa área do Secundário na qual nunca estive, não vejo como é que há cadeiras difíceis. Agora digo, sim, que existem cadeiras mais exigentes do que outras. Obviamente, à medida que vão progredindo nos vossos cursos, vão encontrando cadeiras mais exigentes, mas o facto de irem acumulando semestres na universidade só vos deveria estar a dar um maior à vontade. Eu acredito que com a devida dedicação, organização e estudo, qualquer cadeira pode ser feita. E muitas vezes, os rumores que se ouvem dos alunos mais velhos são tudo uma grande trampa – sem ofensa, mas os discursos derrotistas sobre cadeiras normalmente vêm do pessoal calão.

4. Mas há claramente cursos mais fáceis do que outros
Yap e yap e yap. Embora tenha passado apenas um ano a fazer Geologia – porque o que na realidade fiz foi apenas um Minor -, deu para perceber que o nível de dificuldade entre cursos é bastante diferente. E fight me all you want mas o curso de Arqueologia – a minha Licenciatura – é daqueles que se fazem com uma perna atrás das costas. Honestamente, foi mais complicado lidar com as mentes retrógradas e megalomaníacas dos professores, do que fazer as 30 cadeiras do curso. Ohhh e ainda por cima espetam-nos com imensos testes de consulta à frente, e que só alguém muito inocente é que não consegue aproveitar esta oportunidade. Papinha mais feita do que esta é impossível. Ahhh e isto fora aqueles excelentes – nope, definitely not – professores que não têm imaginação para elaborarem mais do que uma prova de exame de 10 em 10 anos.

5. Somos um bando de privilegiados e devíamos reconhecer isto
E disto também não há dúvida nenhuma. Não digo isto referente a quem não quer continuar a estudar para além do pré-estipulado, porque honestamente não interessam para aqui, mas sim a quem gostaria de continuar os seus estudos e não tem possibilidade, sobretudo financeira, para o fazer. E nem falemos de quem nem tem direito ao básico dos básicos. Fight me on this toothe hell I care – mas sempre me meteu imensa impressão a quantidade de bolseiros que estão por uma linha finíssima para chumbarem a mais de metade das suas cadeiras e ainda estão a receber dinheiro dos contribuintes, e a quantidade abismal de pessoal que tem os paizinhos a pagar-lhes as propinas para não aparecerem a metade das aulas, passarem à rasca ou nem isso. Desculpem mas isto é estar a gozar com a cara de quem não pode frequentar o Ensino Superior, incluindo o pessoal que, apesar dos seus esforços, não consegui entrar no curso que queria. Se é para não fazerem um cu, mais vale não estarem lá e darem o vosso lugar a alguém que o vá prezar. Se o dinheiro saísse da carteira desta gente, gostava de ver se ainda andavam a faltar a 90% das aulas, só porque yeah sou rebelde e maior de 18 anos e posso faltar às aulas.

6. É um mundo que me dá imensas dores de cabeça
Disto também não há dúvida nenhuma. E falo mesmo literalmente. As últimas épocas de exames têm-me oferecido umas valentes enxaquecas ou dores de cabeças – tbh nunca soube a diferença. É a quantidade de matéria para cada um dos exames, o tempo que às vezes não é o que se esperava, a pressão de terceiros e, especialmente, a nossa. E quando tudo isto se junta, o nosso sistema dá logo de si e os efeitos secundários nunca são agradáveis.

E a isto junta-se ainda a pressão extra que existe para quem quer seguir para a área de investigação. O trabalho extra que tem de ser feito, a investigação extra, o bajular de investigadores – sim sim, que isto ainda continua a ser um mundo-cão onde só sobrevive quem tem os connects certos -, os trabalhos de voluntariado e isto e aquilo. Há alturas em que realmente me pergunto porque é que quero ir para investigação, se todas as épocas de exames parecem um autêntico pesadelo…

7. Mas que acima de tudo adoro
Mas depois a verdade é que também não me vejo a fazer mais nada do que isto. Até posso passar o resto da minha vida atrás de uma secretária – mas por favor, durante apenas 9 a 10 meses do ano, que eu também não sei o que faria da minha vida sem as minhas escavações; me needs to play with the earth, but in a very serious scientific way, of course -, mas pelo menos sei que não vai ser uma actividade repetitiva e monótona. É o mundo ideal para aprendermos algo novo todos os dias; todas as horas até. E desde que basicamente me conheço que adoro fazer investigação. Eu adorava quando os professores, no ensino obrigatório, nos punham a fazer trabalhos – individuais, que cenas em grupo não são cá para mim; a não ser que possa ser um grupo muito selectivo. Por isso não vejo porque também quereria fazer outra coisa.

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3 thoughts on “Ensino Superior | O que é que cinco anos na universidade me ensinaram

  1. Kill Your Barbies says:

    Eu também não notei grande diferença entre o secundário e a universidade. Ao nível da dificuldade, achei até a licenciatura mais fácil, uma vez que a avaliação não era feita através de testes ou exames. Mas eu tive uma sorte gigante, porque não encontrei um único professor desinteressante ou que não quisesse lá estar. Só os posso elogiar, de verdade – nota-se perfeitamente que seguiram a sua vocação e que eram felizes a lecionar.

    Só discordo parcialmente em relação ao ponto três, porque acho que depende do curso e das aptidões do aluno. Antes de entrar para Antropologia passei brevemente por Gestão de Recursos Humanos e sei que teria imensa dificuldade em fazer algumas cadeiras, nomeadamente as relacionadas com matemática. Não há cadeiras intrínsecamente difíceis, há cadeiras difíceis para alguns alunos.

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  2. Miguel Gouveia says:

    Como te entendo. Eu acho que cortar acaba por ser fundamental cortar de quando em vez e o verão ainda mais. Dá logo um ar mais fresco😀
    Em relação ao champô da Cien, acredita que faz toda a diferença. O preço e a qualidade valem tudo!!

    Em relação ao teu post e, tal como já tinha comentado contigo, aprendi mais em dois anos de mestrado do que em 3 de licenciatura. Em relação ao secundário, em vale a pena cometar a palhaçada que é!

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