Desabafo #25

209Eu acho piada que, apesar de todos os anos atingir um ponto de desespero em relação aos meus estudos – normalmente nas épocas de exames, mas também quem é que não entra, nem que seja só ligeiramente, em modo de pânico nestas alturas -, a verdade é que esta tem sido a minha vida desde os seis anos e assim continuará por muitos mais – se tudo correr bem nos tempos mais próximos. A verdade é que este Minor é já o meu 17º ano seguido de escola/universidade – nos quais não houve quaisquer repetições de anos escolares. Neste momento não sei bem o que me deixa mais perplexa: o facto de o tempo ter passado tão depressa, ou o facto de já estar há tantos anos em aulas e de nunca ter tido uma pausa.

Ao longo destes anos, penso que fui alternando entre fases de maior e menor entusiasmo em relação ao que estava a estudar – ou o que nos deveria ser ensinado, porque nalguns casos ir às aulas ou não era a mesma coisa. Mas a constante que se manteve é que a maioria dos meus professores foram uma autêntica desgraça. Eu sei que esta é uma opinião muito impopular, mas para mim o sistema de avaliação de professores deveria estar mais do que em vigor, deveria ser minimamente exigente e para todos – só para não dizer que deveria ser um nightmare. E eu digo isto por um factor muito simples: são os professores que moldam as gerações mais novas, pois são eles que nos dão a educação de que precisamos para a nossa vida profissional, uma vez que a educação a níveis de personalidade e socialização já estão a cargo dos nossos pais – e da sociedade no geral, infelizmente. Se não há uma mínima preocupação e fiscalização da nossa educação, como esperam que a sociedade no geral venha a evoluir, ou pelo menos, não descer vertiginosamente para as trevas de períodos anteriores? E como é que esperam que assim não se venham a cometer atrocidades que outrora foram perpetuadas?

Alguns episódios, a que fui assistindo ao longo dos meus anos em escolas e universidades, fizeram-me querer bater com a cabeça na parede muitas vezes, tamanha era a estupidez à qual eu assistia. Eu nem me pronuncio sobre o nosso sistema de educação – que é uma inutilidade gigante… enfim, se calhar é melhor do que nada, I guess… Mas tenho de mencionar o caso de uma professora de português que eu tive no 10º ano. Nós costumávamos dizer no gozo que à mulher tinha-lhe saído o diploma num pacote de batatas, mas honestamente acredito que a realidade não esteja muito longe. A mulher para além de retirar informação da wikipediasim sim há informação válida lá, mas isso é o quê, 1/10 de tudo o que lá está escrito e é se tanto -, claramente não sabia o que estava ali a fazer. Enumeração, por exemplo das cores do arco-íris, segundo ela jamais poderia ser feita com vírgulas. E querem saber porque é que nós nunca tivemos de fazer quaisquer exercícios de métrica em poemas nesse anos? Ora bem, porque como a senhora ela própria não sabia, nunca nada disso nos seria perguntado num teste – uma pinky promise feita por ela.

É claro que casos vergonhosos destes existem com menores frequências nas universidades. Mas não deixamos de ter vários professores que se estão perfeitamente a lixar para nós, e que pouco ou nada querem estar ali. E então casos destes no ensino obrigatório são mais que as mães, e não há dedos das mãos e pés que nos valham para os contarmos a todos. No meio disto tudo, FELIZMENTE, tive a sorte de ter brilhantes pessoas como professores – não só a nível profissional como pessoal. Professores estes com paixão por aquilo que leccionam e que são capazes de o fazer – sim porque também não é só uma média de 20 valores que faz de alguém um bom médico. Professores estes que conseguem motivar os seus alunos e que realmente sabem do que estão a falar. Digo-vos que professores excelentes só tive mesmo 5 durante todo o ensino obrigatório – e muitos foram os professores que passaram pelas minhas turmas, porque raros foram aqueles que se aguentaram mais do que um ano. Na universidade já consigo subir este número para uns 10, ainda que basicamente apenas graças ao Mestrado que fiz nos Países Baixos e ao Minor que estou agora a fazer na FCUL.

Se tenho fé nesta vaga de professores? Não, nem um bocadinho. Só espero é que a próxima leva já tenha uma mente mais aberta e que realmente esteja ali porque quer, e não só porque é o último recurso e não querem mexer o rabo para fazerem outra coisa, talvez melhor para eles mas que lhes dê mais trabalho.

*mas não me interpretem mal. Este é um problema comum a qualquer outro país com um sistema de educação; simplesmente só não posso comentar esses casos porque não os conheço*

4 thoughts on “Desabafo #25

  1. sweet says:

    Estás a tirar uma outra licenciatura ou apenas um minor? É que fiquei interessada em saber se na Universidade de Lisboa pode-se tirar apenas um major/minor sem tirar um curso.

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  2. Miguel says:

    Eu por acaso uso imenso pulseiras e adoro. Mas eu devo ser um caso à parte ahaha Em relação aos perfumes, acho que só faz sentido se se conhecer realmente bem a pessoa com quem se está. Caso contrário pode ser um tiro no pé:/

    Concordo plenamente com tudo o que escreveste. Acho que professor, mesmo professor, só tive na primeira classe!

    NEW PERSONAL POST| What’s On My Necessaire
    InstagramFacebook Oficial PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me😀

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  3. alexis says:

    Percebo aquilo que dizes e acho que a maioria de nós concorda em grande parte contigo, infelizmente…
    Os professores marcam muito o aluno e são poucos aqueles que realmente se destacam e que deixam alguma marca…

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