Higher Education in a foreign country #Graduate School

Eu fiz este post a pedido da Ânia (do blog “Born to be a Fashionista”), mas de certeza que este tema poderá interessar a muitas mais pessoas. Cada vez é maior o número de alunos portugueses que decidem prosseguir os seus estudos no estrangeiro, quer seja ao nível da Licenciatura, ou ao nível das Pós-Graduações. Apesar de existirem estas duas saídas, este post vai apenas referir-se às Pós-Graduações, e mais precisamente, aos Mestrados. Porém, se estiverem interessados em licenciaturas, podem dar uma espreitadela neste post. De certo modo, este vai ser um post genérico (pois acredito que o processo seja semelhante para a maioria dos países da União Europeia), mas vai ser baseado na minha experiência – eu candidatei-me não só para os Países Baixos (onde estou agora), como também para Inglaterra (eu não falo no Reino Unido, pois não sei se há diferenças ou não para o País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte, mas suponho que não). O post vai ser dividido por tópicos para facilitar a leitura do mesmo.

Pré-Preparativos
A primeira informação que precisam de saber é que, ao contrário do que é a norma em Portugal, as candidaturas começam um ano antes do início do curso para o qual nos estamos a candidatar. Por exemplo, se quiserem começar o vosso mestrado em Setembro/Outubro 2015, têm que começar já a pensar na vossa candidatura. E digo isto porque os prazos de candidatura acabam normalmente por volta de Março/Abril (e quanto mais cedo mandarem, melhor; pelo menos é o rumor que corre). Não saber esta espécie de prazo é um erro bastante comum e que pode deitar os nossos planos por água abaixo (este prazo, se lhe quisermos chamar isso, também se aplica para as licenciaturas, sobretudo se quiserem ir para o Reino Unido).

Ir para o estrangeiro significa que temos de dispensar muito mais dinheiro do que se ficássemos no nosso país, por isso tirem algum tempo para pensar nisto, pensar se é realmente isto que querem, para que país é que querem ir, para que cidade, que tipo de curso é que querem e para que área, etc. É claro que na altura de aceitarem ofertas podem sempre recusá-las, mas a verdade é que já estão a gastar dinheiro na candidatura em si (não muito; irei falar sobre isto mais à frente). E além do mais, este é um processo trabalhoso e que leva tempo a concluir. E como qualquer decisão que tomemos, convém sempre ter certeza (ou alguma) daquilo que estamos a fazer.

Processo de candidatura
Geral
Em Portugal, para quem não tem conhecimento, e dentro daquilo que me apercebi ao logo de três anos na FLUL, as candidaturas são bastante simples. Elas são feitas no Verão entre o fim da nossa licenciatura e o início do nosso mestrado, e envolvem apenas o preenchimento de um formulário e provavelmente a entrega do nosso Certificado de Conclusão da Licenciatura. Contudo, as candidaturas para países estrangeiros envolvem muitos mais passos, alguns mais demorosos do que outros.

Em primeiro lugar, as candidaturas são feitas online, o que faz com que não haja a necessidade de nos deslocarmos à universidade em si. No entanto, nalguns casos, uma ida à universidade pode ser importante (mas é claro que isto depende muito das vossas possibilidades monetárias e do curso para o qual querem ir). Lá fora, mais do que em Portugal, existem vários dias abertos (open days). Estes eventos são uma boa oportunidade para ficarem a conhecer a universidade/faculdade, o departamento no qual está inserido o vosso curso, os professores e ainda alguns alunos. Por exemplo, no meu caso, ir a estes eventos foi bastante importante para a minha candidatura. Eu fui ao dia aberto da UCL, em Londres (uma das universidades inglesas para as quais também me candidatei) e tive a oportunidade de conhecer não só alguns alunos, como também um dos professores – que fez questão de dizer para eu mencionar na minha candidatura que tinha falado com ele. E depois fui ao dia aberto da universidade onde agora estou. Aqui falei com o director do meu curso, com outros professores e ainda com alguns dos alunos (aliás, passei uma boa tarde com eles, até porque já conhecia uma das pessoas do grupo). Neste caso, foi algo chave para a minha candidatura porque foi graças a estes “meetings” que me ofereceram este lugar. Como podem ver, estes eventos podem fazer a diferença, pois é uma maneira de expressarmos a nossa motivação e o nosso interesse pelo curso, mas isto é algo completamente relativo, pois depende do curso para o qual nos estamos a candidatar.

Em segundo lugar, a candidatura tem uma taxa; ou seja, o envio da candidatura tem um preço fixo. Este preço pode ir dos 25€ até aos 100€, mas algumas universidades não requerem qualquer pagamento no acto da candidatura.

Em terceiro lugar, as candidaturas envolvem o envio de documentos extra: uma carta de motivação, uma ou mais cartas de recomendação, certificados de unidades curriculares, certificado de licenciatura, exames de língua (nomeadamente inglês), CV, etc. ( eu uso o etc. aqui porque, para a minha candidatura para os Países Baixos, também tive que enviar o meu certificado do secundário).

grad school
Carta de Motivação (Personal Statement)
Este é um documento bastante importante, pois é graças a ele que podemos mostrar a nossa paixão pelo curso, a bossa motivação e os nossos pontos mais fortes. No fundo, sob a forma de um texto, esta é a nossa oportunidade para nos vendermos (se é que me faço entender). Eu deixo-vos com este link para terem uma ideia do que é que estes textos envolvem. Uma maneira que eu encontrei para fazer este texto foi respondendo a umas questões-chave. No fim, é tentar juntar tudo num texto coerente e do nosso agrado. Um conselho: mostrem o vosso texto a familiares, amigos, a alguém que possa dar a sua opinião de forma construtiva. E certifiquem-se que alguém corrige o vosso inglês (ou qualquer que seja a língua usada). Deixo-vos aqui com alguns exemplos destas questões:
– why do you want to do this course/research?
– why this subject?
– why this university?
– what academic skills have you got to offer?
– what is the relevance of your first degree to this study?
– what personal skills can you offer?
– what are your strengths?
– what are your career aims?
– why X (país para o qual se vão candidatar)?
– do you have any previous experience?
– how can you show that you can successfully complete a higher education course that is taught in English?

Estes são apenas alguns exemplos de temas que devem abordar no vosso “personal statement“. Há que ter em conta, contudo, que nem todas estas questões podem ser úteis para vocês, pois o que nós escrevemos depende muito do curso para o qual nos estamos a candidatar.

Eu mentiria se dissesse que esta etapa não leva muito tempo. Por um lado não leva assim tanto tempo (acho eu), mas por outro lado, convém que seja feita com pés e cabeça, com tempo para fazer mil e uma alterações. E é também importante ter este texto, nem que seja só um rascunho, na altura em que pedirem as vossas cartas de recomendação. Último conselho: se há universidades que não estabelecem qualquer limite de palavras, há algumas que o fazem – têm de ter muita atenção a isto.

Cartas de Recomendação (References)
Esta foi para mim a pior parte. E digo isto porque levou imenso tempo para que os meus professores me dessem as cartas (e admito que fiquei um tanto ou quanto desapontada, mas pelo menos prejudicada não fui de certeza). O mais comum é ser-vos pedidas duas cartas de recomendação, e porque o objectivo é terem, sobretudo, professores a incentivarem a que sejam aceites, escolham bem a quem vão pedir as cartas. Podem ser professores, patrões, algo do género; mas convém acima de tudo que seja alguém que vos conheça bem (e como é óbvio, que não seja da vossa família). Quando pedirem a alguém, entreguem-lhe o que já tiverem do vosso “personal statement” (pois ajuda sempre saber quais são os vossos objectivos, etc.), o programa do curso (para o qual se estão a candidatar) e quaisquer outras informações que agem necessárias, e que achem que o/a possa ajudar a fazer a carta. E certifiquem-se que a carta é escrita em inglês e assinada pela pessoa.

Certificados
Para quem já tenha acabado a sua licenciatura, este passo é bastante fácil, pois irá-te apenas ser pedido que envies o teu Certificado de Conclusão da Licenciatura. Atenção: este e qualquer outro certificado tem de ser traduzido para inglês e tem de ser autenticado por um notário.

Para quem ainda está a acabar a licenciatura, irá precisar de Certificados de Unidades Curriculares. Ou seja, vão precisar de certificados das cadeiras que realizaram nos anos anteriores (no fundo, é um certificado em que listam as vossas cadeiras, com as respectivas notas). Mais uma vez, estes documentos têm de ser traduzidos e autenticados. Peçam estes documentos com tempo, pois nem sempre as universidades são muito rápidas a emitirem estes papéis.

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Exames de língua
– e aqui está talvez uma das partes mais demorosas. Se já tiverem um destes exames, óptimo. Mas para quem não tem, isto não só vai vos custar dinheiro (e não pouco), como também tempo. No geral, o aconselhável é fazer os exames da Cambridge University, que eu passo a enumerar:
IELTS (International English Language Testing System);
CAE (Certificate in Advanced English);
CPE (Certificate of Proficiency in English).

Embora tenham preços diferentes (tanto as aulas de preparação como os exames em si), a verdade é que este detalhe não é muito importante. Os dois últimos exames são os mais aconselháveis pois são vitalícios, enquanto quenquém o primeiro só tem uma validade de dois anos. Pessoalmente, prefiro o primeiro exame, mas em termos de utilidade e validade, é melhor fazer um dos últimos dois. Em relação às notas que têm que obter, este é um detalhe que está sempre disponível nos websites das universidades.

Oferta
A candidatura para o estrangeiro é feita com base em ofertas (“offers“). Para quem já tem todos estes documentos e tem todos os requisitos, se for aceite, recebe uma “unconditional offer“. Mas para quem ainda está a acabar a licenciatura, irá receber apenas, inicialmente, uma “conditional offer“, que como o nome indica, envolve obtenção do quer que seja que eles pedem nas condições. Por experiência própria há dois cenários possíveis (o primeiro é mais comum):
– pedem-vos uma média superior a 15/16 valores e uma classificação de X em determinado exame de inglês (no formulário de candidatura, podemos escolher que exame é que queremos fazer);
– pedem-vos apenas que concluam a licenciatura e uma classificação de X em determinado exame de inglês (no formulário de candidatura, podemos escolher que exame é que queremos fazer).

De momento, não me ocorre mais nenhum detalhe sobre as candidaturas. Espero que este post vos seja útil (para quem se quem candidatar para o estrangeiro). E caso alguém tenha dúvidas/questões, podem deixá-las na secção de comentários ou enviá-las para o email do blog.

7 thoughts on “Higher Education in a foreign country #Graduate School

  1. Ânia Morouço says:

    Muito obrigada Maria, super completo e vai dar imenso jeito, não só a mim mas a mais pessoas🙂
    Só te dei trabalho, estou com pena de ti!!

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  2. Margarida C. says:

    R: Eu estou a pensar ir ao País de Gales e também à Escócia assim que tiver tempo. Este primeiro, principalmente, é um dos países que mais quero visitar! Assim que puder vou a Cardiff🙂

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  3. Margarida C. says:

    Acho que o primeiro assunto que referiste é muito importante! Eu só me decidi pelo curso que pretendia após terminar a licenciatura e estava a ver que não conseguia entrar por me candidatar tão tarde… Na universidade disseram-me logo que davam prioridade aos primeiros a candidatar-se e as candidaturas tinham começado já em setembro do ano passado! Felizmente já tinha feito um exame de inglês há uns meses atrás senão nem tinha tido hipótese de concorrer para este ano lectivo😡

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