Day 44: getting back to reality

O meu objectivo para este post é escrevê-lo em português, mas não podia deixar de começá-lo com esta expressão em inglês, que tão bem representa o que senti nestas últimas seis semanas. Este foi sem dúvida um dos melhores Verões que alguma vez já tive. E com muita pena minha já chegou ao fim. Mais do que nunca, neste quase mês e meio, o tempo passou a correr: de facto, quando estamos a fazer algo de que gostamos, o tempo passa sempre bastante depressa. Admito que quando fui para a escavação em França, já fui com expectativas altas, mas mesmo assim, estas expectativas foram completamente ultrapassadas. Esta foi sem dúvida uma óptima experiência: algo de que eu já andava a precisar há alguns anos.

Honestamente, se me perguntássem do que é que eu sinto mais falta, esta seria a minha resposta imediata: as pessoas. Não houve lágrimas derramadas nos últimos minutos, mas senti uma grande tristeza por deixar estas pessoas (e também o projecto em si). Como eu fui mencionando ao longo dos posts anteriores que escrevi (podem vê-los aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), este foi o grupo de pessoas mais simpático e atencioso que alguma vez conheci. Se não fosse o facto de viverem tão longe de Portugal, eu de certeza que ia tentar visitá-los. Mesmo assim, ainda tenho a sorte de umas quatro pessoas viverem na Europa. O incrível é que apesar de não nos conhecermos muito bem e de só termos vivido uns com os outros durante seis semanas, a verdade é que nos tornámos numa grande família. É quase como aquela citação que conhemos do “Lilo & Stitch”: “Ohana means family; family means nobody gets left behind or forgotten.”. E apesar dos pequenos conflitos que tivemos, no final, estávamos lá sempre para nos apoiarmos uns aos outros e nunca deixámos ninguém para trás, por assim dizer.

Mas não são apenas as pessoas de quem eu sinto já falta; também estou e vou sentir falta do projecto e do próprio sítio arqueológico em si. Qualquer que seja o aspecto ou o pormenor que eu saliente deste projecto é, sem dúvida, bastante diferente daquilo a que eu estou habituada em Portugal. E, realmente, cada vez mais tenho a certeza que o período que quero estudar é o Paleolítico, seja o Paleolítico Médio ou Superior. Um dos aspectos que mais me deixou fascinada é o facto de fazermos boa parte do trabalho de laboratório, ao mesmo tempo que a temporada de excavação estava a decorrer. Isto não é nada de novo, mas é uma prática que não se vê em muitas escavações em Portugal, infelizmente. Embora fosse algo de que eu tivesse consciência desde o primeiro dia, só tenho pena de não ter podia ir escavar mais dias. No entanto, isto deu-nos a oportunidade de ficarmos a conhecer a fundo como é que tudo funciona no laboratório. Esta foi uma experiência espectacular! Deixo-vos abaixo, em fotografias, alguns pormenores da casa e propriedade em que estivemos alojados e, ainda, de algumas tarefas que realizávamos.

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França… Este é, de longe, um dos países da Europa que melhor conheço (não que também sejam muitos aqueles que conheço). Contudo, não deixo de descobrir coisas novas e maravilhosas, cada vez que lá vou. E até comecei a reparar o quão parecidos são os países mediterrânicos; bem mais parecidos do que aquilo que pensava. Os locais por onde andei ficam situados nos departamentos da Dordogne e do Lot. Esta não é, propriamente, a minha região francesa predilecta, mas devo admitir que é bastante bonita.

Infelizmente já regressei à realidade. Apesar de estar mais do que contente por estar de novo com a minha família e amigos, digo infelizmente porque já comecei a ter problemas com a universidade e a minhas aulas só começam mais para o fim deste mês. Enfim, nada que eu já não estivesse à espera. Não é que este problemas não tenham solução, mas esta é sempre uma situação chata. Ando a tentar remediar alguns erros que cometi no passado mas não está a ser nada fácil. Honestamente, não estou com muita vontade que os próximos dias cheguem. Neste momento, gostava de ter ido na “mala” de algumas das pessoas que conheci, neste Verão, para o outro lado do Oceano Atlântico. Nunca pensei que voltasse a dizer isto tão cedo, mas a parte positiva deste ano académico é que é o último.

Visto que chegámos ao início de Setembro, isto significa que as aulas estão prestes a recomeçar. Como é que foram as vossas férias até aqui?

8 thoughts on “Day 44: getting back to reality

  1. Cat's says:

    Aposto que ainda não passou um único dia desde que regressaste em que não te tenhas lembrado desta experiência e tenhas desejado voltar! Ver a família é bom mas depois de uns dias a matar saudades e a ver que está tudo ok…dá vontade de pegar na mala outra vez e partir. Eu junto-me a ti…também não é com grande entusiasmo que volto à universidade este ano, sinto-me saturada de certas situações e de alguns professores que não facilitam a vida a ninguém :s Ainda assim vamos esperar o melhor para este ano! um beijinho*

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  2. Cidade do Pecado says:

    Acredito que essas semanas tenham passado a voar. Quando estamos a fazer algo que realmente gostamos, parece que o tempo voa. Pelo menos sabes que viveste uma experiência que provavelmente te irá marcar durante muitos anos, se não para sempre🙂

    beijinho

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  3. Sweet woman says:

    Bem, acredito que durante este tempo que estiveste lá, as coisas tenham passado a correr. É sempre assim, quando gostamos de algo, é como se o tempo passasse a correr.
    Acho ótimo que tenham acabado por se afeiçoar uns aos outros, quem sabe se no futuro não terão oportunidade de se reencontrarem🙂
    Em relação a isso que está a acontecer agora, espero que melhore depressa. Nem sempre é fácil enfrentar os problemas, mas o importante é que te mantenhas de cabeça erguida independentemente daquilo que aconteceu. Afinal, como tu própria escreveste, é o último ano e até pode ser que entretanto tudo aquilo que não está bem, se recomponha!
    Beijinhos.

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  4. Sweet woman says:

    Eu também a uso mais com esse objetivo, aliás só a conheci há uns dois anos quando apanhei um escaldão enorme e a água termal foi um dos produtos que me foi recomendado. Entretanto só tenho experimentado essa marca, embora acredite que as outras sejam igualmente boas.
    Sim, é mais ou menos isso, que ele tem algo de diferente tem. Eu fiquei rendida e de certeza que vou voltar a vê-lo um dia destes.
    Compreendo-te em relação a isso de usares os mesmos produtos durante algum tempo, também me apego aos produtos com facilidade quando eles se mostram realmente bons, mas vou sempre tentando mudar para também ir conhecendo produtos novos, de novas marcas e tudo mais. Mas por vezes existem daqueles produtos que é quase impossível largar e sempre que acaba, voltamos a comprar um igual.
    Quanto às minhas férias, sim de facto deram para espairecer, também já andava a precisar um pouco, então.
    Beijinhos.

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  5. Sweet Stuff says:

    Deve ter sido de facto fabuloso, ainda bem que aproveitaste ao máximo🙂

    Eu também achei essa parte engraçada mas a minha frase preferida do texto é “You cannot romanticize hurt”. Acho que diz muito.

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  6. Rita P. says:

    Obrigado pelo teu comentário no meu blog!Que bom que gostaste da tua experiência, espero também gostar da minha que está prestes a começar🙂 A melhor parte é sempre conhecermos pessoas novas de culturas diferentes que ficam para sempre nos nossos corações!🙂

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