ERA: como fazer apontamentos

Como podem ver pelo título, o post de hoje vai ser sobre apontamentos, nomeadamente, como é que estes devem ser feitos. Embora seja uma coisa que muitas vezes (e erradamente) só se associa à Universidade, este também pode ser um bom trunfo para quem ainda está no Ensino Secundário e, até mesmo, nos últimos anos do Ensino Básico (isto é, 3.º ciclo). Os apontamentos não são propriamente uma coisa que tenha muito que se lhe diga. São até bastante fáceis de se fazerem. O certo é que convém ter em conta alguns pontos; pontos estes que vou mencionar aqui. Mas primeiro que isto, gostava de referir que os apontamentos devem ser feitos à nossa própria maneira, visto que cada um de nós tem os seus próprios métodos de estudo e métodos de assimilação da matéria; aspectos estes (apontamentos, métodos de estudo e métodos de assimilação da matéria) que se interligam.

A sua importância
No meu ponto de vista, este é um aspecto importante para garantir que se tem um maior número de informações quando chegar a altura em que se tem de estudar para algum teste e/ou exame. Ainda que eu fizesse poucos apontamentos enquanto frequentei o Ensino Secundário (algo que acontece com a sua frequência também na Universidade – desta vez já não no meu caso), tal como muitos outros tantos estudantes, isto não quer dizer que eles não sejam importantes e/ou úteis. Aliás, este é um factor importantíssimo para o Ensino Superior; pelo menos eu penso assim. Embora não seja a única coisa a que devemos recorrer quando temos de estudar (para isso também temos os livros, por exemplo), é sem dúvida algo que nos poderá ajudar bastante.

Independentemente do nível de escolaridade em que nos encontramos, os apontamentos são sempre úteis na medida em que nos permitem saber o que é que foi falado nas aulas. Ainda que no ensino obrigatório os professores não acrescentem quase nada para além daquilo que se encontra nos manuais e, ainda que no Ensino Superior os professores não façam referência a toda a matéria (daí a importância da bibliografia), o certo é que muitas vezes os professores podem acabar por falar em algo que não encontraremos em nenhuns livros. E se isto sair nalgum teste e/ou exame e não tivermos registado nos nossos apontamentos, são pontos certos que iremos perder. Além do mais, esta é uma boa maneira para estarmos sempre a par do que foi realmente leccionado em cada aula. Eu sei que há sempre os sumários e isso tudo, mas muitas vezes pode-se acabar por não dar tudo sobre o que foi estipulado ou acabar por dar mais qualquer coisa.

Organização dos apontamentos
Se bem que, como já referi acima, os apontamentos devem ser feitos à nossa própria maneira, visto que seremos nós a usá-los, estes devem ter uma certa organização pré-definida. Para que tenham uma maior variedade (ainda que um pouco limitada) no que diz respeito a este tópico, vou sugerir-vos dois modelos de organização dos apontamentos. Como nota, quero apenas dizer que nas aulas eu faço os meus apontamentos num caderno qualquer, geralmente um caderno para todas as cadeiras que tenho nesse semestre. Depois, em casa, é que passo tudo a limpo e guardo nos seus respectivos lugares. Neste tópico, a organização refere-se já aos apontamentos que estão (a ser) passados a limpo.

Este modelo de organização foi-me fornecido por um dos meus professores da faculdade, logo no início do ano lectivo passado. Por acaso, foi até bastante simpático da parte dele. Vou, então, passar a transcrever a legenda para a imagem.

  1. “(…) aqui deverão ser incluídas as notas de tema [ou seja, aqui podem optar por colocar o tema sobre o qual vai recair esta folha de apontamentos] – ex. papel da nobreza de toga”;
  2. “(…) aqui deverão ser incluídas notas o mais fielmente possível, seguindo o plano e a exposição da aula. (…) Questões eventualmente levantadas pelos alunos deverão [ser aqui incluídas] (…) O nr. 2 do apontamento deve conter quatro partes:
  • introdução (objectivos programáticos, unidade de ensino, a que aula se destina);
  • exposição;
  • crítica;
  • conclusão;”
  1. “a parte inferior da folha é destinada a reflexões críticas do aluno ou do professor, bibliografia suplementar, questões em aberto, etc”. [este ponto é o 3 da imagem – não sei porquê, mas isto não me deixou colocar o número 3 no início deste texto]


Como poderão ir perceber com este texto, o meu modelo de apontamentos abrange os mesmos aspectos que aquele do meu professor, que mostro acima. Eu, simplesmente, opto por um outro tipo de organização, que é me mais favorável.

No topo da página, para saber a que aula exacta é que pertencem determinados apontamentos, coloco não só a data da aula, como o seu próprio número. Não é que exista a lição nr. 1 ou 2, como nos ensinos Básico e Secundário, mas assim tenho a certeza que datei bem os meus apontamentos.

De seguida, em baixo, com uma ou duas linhas a separar, aponto o sumário da respectiva aula. Ainda que não seja como nos ensinos anteriores, em que os professores, no início ou no fim de cada aula, escreviam no quadro o sumário dessa aula, na Universidade continuam a existir sumários. A diferença é que os professores não os apresentam. Mas nós temos na mesma acesso a eles: nestes casos, os sumários são colocados na internet, no portal académico da nossa faculdade/universidade. Como penso que os sumários são feitos após terminar cada aula, estes devem corresponder na totalidade ao que foi leccionado.

Porque ao longo de uma aula se vai falando de vários tópicos (melhor dito, temas), penso que é útil colocar-se, no início, de cada texto um título. Este pode ser criado por vocês, mediante o que trata cada texto, ou podem usar algum que tenha sido fornecido pelo(a) professor(a) – isto normalmente acontece quando as aulas são dadas com base em apresentações powerpoint. Caso seja um tema que necessite ter as suas sub-divisões, devem também colocar um sub-título. Mais tarde, quando estiverem a estudar, por irem definindo os temas abordados, será-vos mais fácil encontrar algum texto específico.

Em relação ao texto, não penso que haja muito a dizer. Devo é apenas realçar que não devem fazer um texto corrido. Optem por fazer algo como eu tenho feito nestes posts. Um parágrafo para cada assunto. Usa-se mais folhas, é certo, mas assim os textos ficam mais organizados e será mais fácil para lermos. E textos demasiado corridos tornam-se cansativos, especialmente quando estamos a estudar e a nossa disposição não é das melhores.

Por último, quando os professores fazem referência a alguma bibliografia suplementar (isto porque no início do ano é nos entregue o programa da cadeira), opto por colocar os livros ou artigos no final da folha, dentro de um pequeno rectângulo, de modo a que seja realçado para que eu não me esqueça de ver o que foi sugerido. Eu apenas uso isto quando é sugerido algum tipo de bibliografia adicional.

Qualquer um dos modelos foi feito para o Ensino Superior, mas podem ser perfeitamente usados por quem ainda está nos ensinos Básico e Secundário. Nestes casos, a única coisa que penso que muda é a parte da bibliografia. Como só são usados os manuais, podem utilizar este espaço para salientar alguma informação extra dada pelo(a) professor(a), bem como de algum programa ou artigo que tenha sido falado nessa aula.

Como tirar apontamentos nas aulas?
Visto que vão estar a escrever os vossos apontamentos um tanto ou quanto à pressa, devem utilizar um caderno qualquer para os fazerem. Guardem um outro caderno ou conjunto de folhas para passarem os apontamentos a limpo. Pode-se dizer que se estão a gastar muitas folhas e isso, mas é caso para dizer “não seja por isso”, podem sempre passar os vossos apontamentos a limpo para o computador. Mas aí também irão gastar mais dinheiro, uma vez que terão de os imprimir. De qualquer modo, o próprio passar a limpo os apontamentos é um bom modo para se estudar. Esta prática fará com que o nosso cérebro absorva algumas das informações que estamos a passar.

Não há propriamente maneiras certas e erradas de tirar apontamentos. E, além do mais, cada um deverá fazer isto à sua própria maneira. Mesmo assim, posso-vos dar algumas dicas para vos ajudar.

  • para quem não está habitudado a fazer apontamentos, uma boa táctica é praticar em casa. Quero que dizer, podem ver um documentário (ou algo do género) e ao mesmo tempo que o fazem podem ir tirando apontamentos sobre o que estão a ouvir. Assim já vão com uma ideia de como é que será em ambiente de aulas;
  • têm de ser selectivos em relação ao que querem apontar, isto é, não podem querer apontar tudo (mesmo tudinho) do que ouvem. Não que não seja possível, mas terão muita dificuldade em fazê-lo. Isto até porque nem tudo o que os professores referem é assim tão importante;
  • quanto mais prática tiverem a tirar apontamentos mais fácil será fazê-lo. As primeiras vezes, nomeadamente para quem não está habituado, será complicado apontar muita coisa, mas à medida que vão ganhando experiência, eles começarão a ficar mais completos;
  • optem por usar abreviaturas sempre que possível, mas certifiquem-se que depois irão conseguir identificar todas as palavras que escreveram com base nelas. Dou-vos aqui alguns exemplos, super básicos: que (q), também (tbm), como (c/), não (ñ). Depois, podem ir arranjando abreviaturas para palavras que vão ouvido nas vossas aulas, que serão própria à realidade escolar de cada um de vós;
  • neste sentido, podem também optar por escrever palavras em outras línguas. Isto pode parecer um tanto ou quanto idiota, mas é uma questão de que qualquer método para que façamos os apontamentos mais eficazmente é sempre bem vindo, por mais parvo que pareça. E, muitas vezes, algumas palavras em línguas estrangeiras conseguem ser mais pequenas que as correspondentes em português e, assim, poupas algum tempo. Penso que isto seja mais fácil para quem já está mais habituado a fazer apontamentos e tenha uma boa facilidade a escrever em duas ou mais línguas, sem perder a sua concentração;
  • por último, caso se percam no que estão a passar ou não tenham percebido algum assunto, não hesitem em perguntar ao(à) vosso(a) professor(a) para que vos explique o tópico X melhor. É para isto que eles lá estão, para vos ajudar.

O que se pode fazer para os apontamentos ficarem mais completos?
Isto é algo que penso que muitas pessoas não façam. Não é nada absolutamente vital para os apontamentos serem melhores que outros, mas é sempre um extra. E como se costuma dizer “conhecimento não ocupa lugar”. O primeiro aspecto a realçar sobre este tópico, é que devemos ser muito selectivos em relação às fontes a que vamos buscar os nossos extras. Desde já, a wikipedia está absolutamente fora de questão – ela é apenas útil para se fazer pequenas biografias de pessoas a que se tenha feito referência nas aulas. As melhores fontes são sem dúvida artigos ou livros científicos – estes não têm necessariamente de fazer parte da bibliografia da respectiva cadeira, devem é certificar-se que a sua informação é fidedigna.

Informações extra podem ser, por exemplo, uma pequena biografia de algum(a) autor(a); um resumo de um artigo que tenha sido referenciado na aula; datas, nomes e locais relacionados com a descoberta de algo. Mediante o que estão a passar a limpo, poderão sentir ou não a necessidade de procurarem informação extra sobre o que estão escrever.

[são três imagens; infelizmente, duas delas ficam meio sobrepostas]

Espero que este post vos seja útil. O que acharam destas “dicas”? Têm por hábito fazer apontamentos?

7 thoughts on “ERA: como fazer apontamentos

  1. Joana Freitas says:

    Concordo completamente com as tuas dicas! Se no básico não tinha por hábito tirar apontamentos, no ano que passou – 10º – tive necessidades de tirar apontamentos, sobretudo para Filosofia.

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  2. Dany says:

    Obrigada😀

    Ainda bem que estás a gostar. Eu tenho lido algumas coisas (mas o meu inglês é pessimo e perco-me um pouco pelo meio, mas vou deliciando só pelas fotos). Acho que quando voltasses devias escrever um textinho em português (clarooooo) a falar da experiência, é uma sugestão. beijinhos*

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  3. Sweet Stuff says:

    Exacto! Para além de que acho a expressão odiosa.
    Eu tiro apontamentos desde o 5ºano e sinceramente gostava de saber como é que há pessoas que conseguem estudar sem os fazer, lendo apenas o manual ou assim, para mim isso é algo impossível.

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