Higher Education in the United Kingdom for Home/EU Students #1 Living Expenses

[If you don’t speak portuguese and found this, please read the last paragraph of this post]

Hoje trago-vos uma rubrica pouco usual, mas que provavelmente irão ver mais frequentemente aqui no blog. Há uns meses falei-vos sobre alguns aspectos relacionados com candidaturas para se estudar no estrangeiro e, assim, abro um novo capítulo nos temas abordados neste blog. Embora tenha falado muito no geral nesse post, esta rubrica vai-se mesmo focar só sobre o Ensino Superior no Reino Unido. Foi-me pedido para falar dos custos de vida (‘living expenses’) para um estudante universitário e, por bem, achou-se que seria de grande utilidade escrever um post sobre isto para que mais pessoas possam ter conhecimento acerca de algo tão importante como questões financeiras. Para que seja mais fácil de explicar e, sobretudo, de compreender, o post vai estar divido em alguns tópicos.

Propinas:
No que diz respeito a propinas, tem-se de ter em conta dois importantes conceitos: home student e international student, uma vez que são eles que determinam que quantidade monetária se terá de pagar pelas propinas. Os home students são os estudantes do Reino Unido e da União Europeia; enquanto que os international students são os restantes estudantes que não são cidadãos britânicos nem cidadãos pertencentes à União Europeia.

Há cerca de mais ou menos um ano, o Governo Britânico decidiu aumentar consideravelmente as propinas. Para o ano lectivo de 2010/2011, os valores das propinas iam até as £3.375, o que dá cerca de uns 4.037€. Para este ano lectivo de 2011/2012 (e os seguintes) os valores das propinas aumentaram para as £9.000, o que equivale a cerca de uns 10.766€. Este aumento foi muito contestado e nem todas as Universidades optaram por aplicá-lo – este valor é o máximo que é pedido como propina e há Universidades cujo valor máximo ronda entre as £7.500 e as £8.500 – entre uns 8.972€ e 10.168€. Qualquer que seja o curso que se faça – Medicina, Engenharia, História, etc. – o valor a pagar pelas propinas será o mesmo. Por outro lado, esta situação muda drásticamente em relação aos international students: das £11.165 (cursos como Economia e Direito) às £26.510 (cursos como Medicina e Medicina Dentária) [valores da University of Newcastle, em Inglaterra].

Como podem ver, a diferença entre os valores de propinas para cada estatuto é imenso. Quando um candidato tem dupla nacionalidade, ou seja, quando um candidato é tanto cidadão da União Europeia como de um país fora desta ‘organização’, as Universidades enviam um questionário ao candidato em questão para saberem em qual dos estatutos ele se insere.

Ajudas monetárias:
Mas não é só pelas diferenças nos preços das propinas que interessa ter este dois conceitos em mente. As ajudas monetárias (como empréstimos) também diferem bastante dependendo que ‘tipo’ de estudante se é. Enquanto que os international students não têm qualquer tipo de ajuda; os home students já têm direito tanto a empréstimos como a bolsas. Em relação aos empréstimos falar-ei mais abaixo. No que diz respeito às bolsas, os home students só são elegíveis se viverem há mais de três anos no Reino Unido; menos do que isso e já não podemos ser considerados elegíveis para as bolsas de estudo. O que faz que com que na maior parte dos casos sejamos apenas elegíveis para os empréstimos. [os valores apresentados são os valores dados pelas Universidades para o ano lectivo de 2012/2013 – em anos futuros poderão vir a modificar-se]

Escócia [University of Glasgow]
Em termos de propinas, o caso da Escócia é bastante particular e, até mesmo, um pouco confuso. Se bem que acima vos disse que o estatuto de home student engloba os estudantes do Reino Unido e da União Europeia, neste caso já não se verifica: os estudantes da Escócia e da União Europeia encontram-se no mesmo grupo (grupo 1), os estudantes da Inglaterra, da Irlanda do Norte e do País de Gales encontram-se noutro grupo (grupo 2) e, por último, noutro grupo estão os estudantes internacionais (grupo 3).

Assim sendo, os estudantes dentro do grupo 1 pagam £1.820 (cerca de uns 2.177€); os estudantes inseridos no grupo 2 pagam £1.820 no curso de Enfermagem, £9.000 (cerca de uns 10.766€) nos cursos de Medicina, Medicina Dentária, Medicina Veterinária e Cirurgia e £6.750 (cerca de uns 8.075€) nos restantes cursos; por último, os estudantes do grupo 3 pagam entre £11.250 e £28.500 (entre uns 13.458€ e 34.093€). Mais uma vez a diferença nos preços é astronómica, se não mesmo absurda: o certo é que as Universidades britânicas devem em grande parte a sua sobrevivência às propinas dos estudantes internacionais, na medida em que elas não são totalmente fundadas pelo Estado como acontece em Portugal, por exemplo.

Para os estudantes da Escócia e da União Europeia, as suas propinas irão ser pagas pela Students Award Agency for Scotland (SAAS). Mas um problema coloca-se: ou se tem de pagar de volta o valor das propinas como acontece nos casos abaixo; ou a Agência paga-nos mesmo a totalidade das propinas, fazendo no fundo com que nós não paguemos nada como acontecera em anos anteriores, em que estudantes da Escócia e do Reino Unido não pagavam propinas nas Universidades escocesas. Eu tentei pesquisar mais acerca disto, mas não consegui encontrar nenhum informação que me esclarecesse totalmente.

Inglaterra [University of Sheffield]
Ao contrário do caso anterior, em Inglaterra o assunto das propinas já é mais compreensível e não cria grandes dúvidas. Começa logo pela espécie de divisão que já fiz acima: os home students encontram-se todos no mesmo grupo (grupo 1), não existindo quaisquer tipos de divisões; e os international students estão dentro de outro grupo (grupo 2).

Deste modo, os estudantes no grupo 1 pagam £9.000 (cerca de uns 10.766€), independentemente de qual seja o curso que se está a fazer; por sua vez, os estudantes dentro do grupo 2 terão de pagar entre £12.160 e £28.650 (entre uns 14.546€ e 34.272€). Cursos como Direito ou nas áreas de Artes e Ciências Sociais são abrangidos pelo valor mais baixo, enquanto que cursos como Medicina ou Medicina Dentária já ‘obrigam’ ao pagamento das propinas mais elevadas.

Como podem ver, mesmo situando-se dentro do Reino Unido, em Inglaterra e na Escócia há enormes discrepâncias nos valores das propinas para os home/Eu students. É certo que se tem de pagar nas Universidades inglesas £9.000, mas têm-se uma ajuda muito preciosa. Tal como na Escócia os home students, incluindo quem seja cidadão da União Europeia, são elegiveis para receber um empréstimo do Governo Inglês no valor total das propinas. Neste caso, sim, terá de-se pagar a totalidade do empréstimo devolta. Mas eis que vem mais uma ajudinha. Os estudantes só irão começar a pagar o empréstimo quando estiverem empregados e a ganhar mais de £21.000 (cerca de uns 25.024€) por ano. E, para ‘ajudar à festa’, ao fim de 30 anos a dívida desaparece, ou seja, 30 anos depois do estudante contrair o empréstimo não terá de pagar mais nada quer tenha pago tudo, só uma parte ou nada.

Irlanda do Norte [Queen’s University – Belfast]
O processo de pagamento das propinas na Irlanda do Norte processa-se basicamente do mesmo modo que em Inglaterra, havendo apenas algumas diferenças nos valores de que vos falei. A divisão por grupos é a mesma: num encontram-se todos os home students (grupo 1); no outro os international students (grupo 2).

Assim, os estudantes abrangidos pelo grupo 1 pagam £3.375 (cerca de uns 4.037€), enquanto que os estudantes no grupo 2 pagam entre £11.266 e £27.806 (entre uns 13.477€ e 33.263€). Como podem ver os preços para os internacional students não variam muito de ‘zona’ para ‘zona’ e, mais uma vez, as propinas mais baixas são aplicadas a cursos como o de Direito e as mais altas a cursos como o de Medicina. Para além disto, é de realçar que as Universidades na Irlanda do Norte optaram por não aceitar e aplicar as medidas ‘impostas’ pelo Governo Britânico e, continuam a utilizar os valores anteriores às mudanças do ano anterior (que já vos falei no início deste post).

E se em relação às propinas pouco muda comparado com o que acontece em Inglaterra, o mesmo se passa no que diz respeito às apoios monetários. Mais uma vez não temos de pagar logo as propinas, visto que estas são pagas pelo Governo norte-irlandês à Universidade que se está a frequentar. Os parâmetros do pagamento do empréstimo são iguais; a única coisa diferente são mesmo os valores. Uma vez que o valor das propinas é três vezes mais baixa, os estudantes só começam a pagar de volta o empréstimo quando estiverem a trabalhar e a ganhar mais de £15.000 (cerca de uns 17.874€) por ano. Neste caso, nem sei se existe um limite de anos para se pagar de volta este empréstimo, como acontece na Inglaterra.

País de Gales [Cardiff University]
E se a Escócia, neste aspecto das propinas, é considerado um caso muito particular, o País de Gales não lhe fica de todo atrás. Eu vou dividir este ponto porque cada sítio de onde vem o estudante (se do Reino Unido, se fora da União Europeia, ect), mas é de salientar que as propinas para os home students (para todos: cidadãos do Reino Unido e da União Europeia) é de £9.000 (cerca de uns 10.766€) ao ano.

Começando pelos estudantes que vivem no País de Gales e na União Europeia: o Governo Galês dá-nos um empréstimo no valor das £5.535 (cerca de uns 6.596€) o qual não temos de pagar de volta; e um empréstimo no valor das £3.465 (cerca de uns 4.129€) que já teremos de pagar de volta. E embora o valor deste empréstimo seja muito mais baixo do que o dado pelo Governo Inglês para os estudantes em Inglaterra, só se terá de começar a pagá-lo quando estivermos empregados e a receber mais de £21.000 (cerca de uns 25.024€).

Os estudantes que vivem no restanto Reino Unido, isto é, em Inglaterra, na Escócia e na Irlanda do Norte, só têm ‘direito’ a um empréstimo no valor das £9.000 (cerca de uns 10.766€) e que terão de pagar de volta ao Governo Galês. Os parâmetros do pagamento são os mesmos que os dos estudantes do País de Gales e da União Europeia.

Por último, os internacional students pagam propinas com valores entre as £11.900 e as £26.500 (entre uns 14.180€ e 31.578€). Mais uma vez, os cursos com propinas mais baixas são os das áreas de Artes e Humanidades; e os cursos de Medicina (e variantes) são os com as propinas mais altas para os estudantes que vêem de fora do Reino Unido e da União Europeia.

Custos de vida:
Para além das propinas, na decisão de se candidatar ou não, também se tem de ter em conta os custos de vida para se saber se se consegue aguentar todos os custos durante os três (ou mais) anos do curso. Ao contrário do valor das propinas, os custos de vida são bastante variáveis: dependem do curso que se está a fazer, da Universidade que se frequenta, da cidade onde se vive e dos gastos extras que cada pessoal singular faz. Nos custos de vida entram aspectos como: renda; contas de electricidade, água, gás e internet; comida/refeições; lavandaria, entre outros. Optei por dividir este ponto por cada um dos ‘países’ do Reino Unido tal como fiz no ponto anterior. E em cada um deles dou-vos um exemplo de uma Universidade para que possam ter uma perspectiva mais geral.

Aquilo que os britânicos designam por ‘living costs’ ou ‘living expenses’ não engloba as propinas, daí ter colocado isto num ponto diferente. Estes custos englobam, sim, tudo o resto. São muitas as Universidades que dispõem no seu website valores aproximados daquilo que um estudante poderá gastar enquanto está a frequentar a Universidade. Uma vez que os britânicos recebem à semana, e não ao mês como os portugueses, por exemplo, os valores que vos vou apresentar são para uma semana. É muito útil ter-se estas estimativas, mas há que ser bastante crítico em relação a elas: nem todas as pessoas têm os mesmo rendimentos, logo, não podemos todos gastar a mesma quantidade de dinheiro em coisas iguais; nem todas as pessoas têm os mesmo gastos e gostos, logo, podemos perfeitamente não gastar muito dinheiro em algo que apareça nestas estimativas, etc., etc. Há que pensar nestas estimativas como um simples ponto de referência, como uma simples ideia do que se poderá gastar.

Escócia [University of Edinburgh]

University of Edinburgh: living expenses

Como podem ver, o total por semana depende muito, se não totalmente, do tipo de alojamento em que se fica durante o curso. Normalmente, os estudantes do primeiro ano optam por ficarem em residências universitárias; e já no segundo, terceiro, etc., anos optam por se juntar com alguns amigos e ficarem em apartamentos. Pode não parecer pelos dados neste quadro, mas geralmente ficar em apartamentos é mais barato do que ficar nas residências: um dos seus grandes incovenientes é que normalmente estes apartamentos ficam longe dos campus universitários, o que faz com que se tenha de gastar mais algum dinheiro no transporte. Contudo, continua a parecer-nos como uma opção mais barata após o primeiro ano.

Inglaterra [University College London]

University College London: living expenses

Embora os dados desta Universidade incluam elementos que a anterior não refere, podem ver que o preço total é bastante mais elevado. É certo que Inglaterra é a ‘zona’ mais vasta do Reino Unido em que há um todo conjunto diversificado de cidades, mas optei por vos dar a conhecer os dados apresentados por uma das Universidades da University of London, para puderem ver quanto é que custa viver em Londres, já que é muitas vezes um local de predilecção para os estudantes. E como poderão adivinhar, Londres é uma cidade bastante cara para se viver; mas têm algo bastante bom no que diz respeito às residências: é das poucas cidades em todo o Reino Unido onde se partilham quartos, o que prefaz uma descida consideravel dos preços que se pagam pelos quartos nas residências universitárias.

Irlanda do Norte
Sobre os custos de vida na Irlanda do Norte não vou falar muito, ou melhor, quase nada, até porque não encontrei muita informação sobre este aspecto nos websites das 3 Universidades que existem no território norte-irlandês. As Universidades apenas mencionam que outros factores é que entram nas questões financeiras para além das propinas, sem fazerem quaisquer estimativas para os restantes gastos semanais. Penso que não deverá diferir muito do que já mostrei acima e mostro abaixo. Os custos basicamente recaem sobre as mesmas coisas, os valores é que poderão variar um pouco.

País de Gales [Swansea University]
Nesta Universidade não nos é fornecido nenhum quadro semelhante aos de cima, mas referem que em média, um estudante deverá gastar entre £6.000 a £8.000 por ano (entre uns 7.179€ e 9.572€). Pelos vários artigos que já li sobre este assunto, pelas centenas de informações que já li sobre isto em vários websites de Universidades, devo dizer que estas estimativas não devem estar nada (mas mesmo nada) longe da realidade. Em média, gasta-se entre umas £3.500 a £5.500 (entre uns 4.188€ e 6.581€) pela residência, mais cerca de £3.000 a €4.000 (de uns 3.590€ a 4.786) para custos do dia-a-dia, que tenho vindo a referir ao longo do post.

Para além destes factores que referi, há que ter em conta uns outros tantos que são igualmente importantes para este aspecto dos custos de vida. Não só se gasta dinheiro em actividades como idas ao cinema, teatro e a eventos desportivos/musicais, por exemplo, ou em idas ao ginásio; como certos cursos poderão requerer custos extra como visitas de estudo (‘field trip’) – que não são necessáriamente no edifício ali ao virar da esquina.

Espero que tenham achado interessante este post. E para quem me fez o pedido espero que tenha ajudado. Caso alguém precise de mais alguma informação ou algo do género é só deixar na secção dos comentários ou enviar um e-mail para fashionskribo@live.com

In case you found this post and you’re not a portuguese speaker and you would like to know more about the living expenses for an university student in the UK, please contact me by leaving a comment or by sending an e-mail to fashionskribo@live.com asking for a translation of this post. If you need any other type of advice concerning Higher Education in the UK, feel free to contact me too.

fonts: link 1; link 2; link 3; link 4; link 5; link 6; link 7; link 8; link 9 e link 10.

4 thoughts on “Higher Education in the United Kingdom for Home/EU Students #1 Living Expenses

  1. Regina says:

    Olá!🙂 Agradeço, desde já, a informação que disponibilizaste no blogue.
    Eu estou no 11º ano em Ciências e Tecnologias e gostava de seguir um curso na área de Biologia (microbiologia, biologia aplicada,…). Não tive uma média nada boa o ano passado (14.5), mas este ano estou a melhorar e para já estou com média de 17 (+/-). Estou com receio dos exames nacionais, que me podem descer as notas. Em relação ao exame IELTS, é obrigatório? Eu ando no instituto de inglês e vou fazer em dezembro um exame, o FCE, que corresponde ao nível B2 (cerca de 6.0 no IELTS)…mas não sei se este exame é aceite pelas universidades do Reino Unido. Eu queria imenso estudar numa universidade do Reino Unido, mas tenho consciência de que pode ser difícil. Será que me podes ajudar? As médias que tenho (para já) e o exame que vou fazer dão para entrar ? Há alguma universidade que recomendes, especialmente na Escócia? E a candidatura faz-se antes de obter os resultados dos exames nacionais de 12º, ou seja, não se pode ter o Certificado de fim de estudos secundários a tempo da candidatura…certo?:/
    Já agora, como foi a tua integração? Não te custou a fazer amizades e a adaptares-te nos primeiros tempos?
    Ficava mesmo muito agradecida se me pudesses responder!

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    • Maria says:

      Olá Regina. Espero que consigas ver esta minha resposta ao teu comentário. Se vires esta mensagem, podes mandar-me exactamente este comentário mas num email? O email do blog está na barra lateral direita. É só uma questão de ser mais fácil para eu responder às tuas questões. O email é fashionskribo@live.com No caso de não vires esta resposta, num prazo de dois dias eu responderei às tuas questões neste comentário.

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    • Maria says:

      Olá. Entretanto já respondi às tuas questões num email que enviei para aquele que facultaste na secção de dados dos comentários. Espero que tenhas recebido o email.

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  2. Elisabete says:

    Eu vou candidatar-me este ano e entrar para o curso de Hstória e o meu sonho tambem é ir trabalhar para o Reino Unido, pois aqui não tenho muitas perspetivas de trabalho

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