Ensino Secundário – Dicas #2

Como prometido ontem, hoje vou falar-vos sobre as disciplinas do Secundário que fiz e, deixar-vos algumas dicas para terem sucesso nelas. Ora bem, eu fiz o Secundário no Curso de Línguas e Humanidades, um dos cursos que é menos escolhido, por isso é normal é que para a maioria de vocês não terão muitas das minhas disciplinas. Mas mesmo assim, as disciplinas gerais são comuns a todos os cursos e algumas das disciplinas opcionais também estão disponíveis para os Cursos de Ciências e Tecnologias e Línguas e Humanidades.

Português:

  • 10.º ano: eu não me lembro muito bem do meu 10.º ano, até porque mudei de professora a meio do ano, perdeu-se uns dias à espera de professora nova, e a nova não sei se podemos dizer que era professora. Resumindo e concluindo, a matéria nunca foi muito bem abordada, daí eu também não me lembra muito bem dela. Do pouco que me lembro, não foi muito diferente do que se fazia no 7.º ano, análise de textos, poemas, alguma prática de gramática. A diferença é que o nível de exigência aumenta, tal como aumenta de ano para ano.
  • 11.º ano: para além dos textos que se analizam nas aulas, como sempre se fez desde o 5.º ano, pelo menos, vão estudar algumas obras literárias. Sermão de Santo António aos Peixes, do Padre António Vieira; Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett e Os Maias, de Eça de Queiroz. As duas primeira obras podem não ser iguais para todas as escolas, uma vez que diferem de escola para escola. Mas todos estudam Os Maias. Em relação às duas primeiras obras, não me lembro de quase nada, também, mas eram bastante acessíveis. Eu gostei bastante d’ Os Maias, por isso para mim não foi difícil de o interpretar e tal como as outras obras também é bastante acessível. Normalmente, começa-se a estudá-lo no terceiro período, mas para poderes planear bem o teu tempo, podes sempre perguntar no ínicio das aulas ao teu professor quando é que o vão estudar, para saberes quando é que deves começar a lê-lo. É grande a obra, por isso, pensa que para a acabares vais levar uma semana, isto se a quiseres ler aos bocados por dia. Para ser mais fácil estudar a obra para os testes, tens sempre a ajuda dos resumos na internet, mas eles são resumidos demais, nem tendo sempre todos os aspectos importantes. Por isso, uma boa táctica é, de capítulo a capítulo fazeres tu própria(o) o resumo do que acabaste de ler. Assim, antes dos testes, em vez de teres de ler o livro todo para te recordares da obra, basta ler os teus apontamentos.
  • 12.º ano: tal como no 10.º e 11.º anos não vão estudar muita gramática, mas apesar disso ela vai estar sempre presente nos vossos testes, por isso, convé fazer uma revisão da gramática todas as semanas, mas não teres que rever tudo antes dos testes. Assim, vais estar bem preparada(o) para o que quer que seja que sairá nos testes. Eu comecei por estudar Os Lusíadas, de Camões. Os episódios que se analizaram no 9.º ano vão ser deixados para trás, embora alguns ainda sejam analizados. Vão sim analizar as reflexões do poeta, que, ao longo dos Cantos, vai, no fundo, expressando o seu ponto de vista sobre diversos assuntos. Se estas reflexões forem bem analizadas nas aulas elas são super fáceis de perceber. Depois disto, comecei a estudar Fernando Pessoa e depois os seus heterónimos. Primeiro, a Mensagem, de Fernando Pessoa, é mais ou menos como os Lusíadas, talvez um pouco mais díficil de interpretar que Os Lusíadas, mas é provavelmente uma das obras mais fáceis de perceber de Pessoa. Os poemas esses sim já dão muito mais trabalho, uma vez que são subjectivos e nem sempre se acerta na suposta interpretação certa, mas mesmo assim, desde que se pratique não há impossivéis. Por último, o Memorial do Convento, de José Saramago. Pessoalmente não gostei lá muito da obra, não pela maneira como o autor escreveu o livro, porque apesar de tudo o que se diz sobre a sua maneira de escrever, eu achei que era super fácil de ler; mas sim pela história em si. A obra também não é difícil de perceber, a melhor parte mesmo é a visita de estudo a Mafra😛
  • exame: a matéria que sai é só do 12.º ano, mas a parte da gramática é dos três anos do Secundário. Não posso dizer muito sobre o exame, pois é díficil para uns, fácil para outros. O deste ano (2011) não achei que tivesse sido difícil, mas também não foi completamente fácil. A minha nota não foi brilhante, foi apenas razoável e fez-me manter a nota com que fui a exame. A única coisa que achei mais complicado foi a interpretação de texto, que era um poema de um dos heterónimos de Pessoa, não que fosse difícil de interpretar, mas porque os poemas são sempre subjectivos e nem sempre interpretamos o poema da mesma maneira do que a pessoa que fez o exame e que deu as respostas.

História A:

  • 10.º  e 11.º anos: não separei os anos por achar que haja uma grande diferença, mas porque ha certos aspectos que têm maior importância no 12.º ano,que não são tão importantes nos outros dois anos. A matéria está basicamente dividida da mesma maneira em que estava dividida nos 7.º, 8.º e 9.º anos. Não há assim grande diferenças, sem ser o facto de se abordar mais pormenorizadamente alguns aspectos e de se abordar outros. Eu não senti diferença nenhuma do Básico para o Secundário em História, nem achei de modo algum que fosse difícil. Contudo, NÃO ESTOU A DIZER QUE É FÁCIL.
  • 12.º ano: volto a dizer que não há grandes diferenças, mas como se está no último ano, os professores vão exigir que estejamos ao nível do exame, ou seja, é provável que os testes sejam como os exames nacionais. Isto siginifica que, decorar os textos do livro não vai dar em nada, tens de compreender na totalidade todos os conteúdos e saber conectá-los uns aos outros. Para além disto, vais ter de passar a interpretar os documentos e a utilizar esta interpretação para responderes às questões dos testes. No 12.º ano também ajuda ler livros que não sejam só os manuais e tentar estar dentro da actualidade, já que o programa deste ano aborda os sécs. XX e XXI.
  • exame: achei o exame (2011) bastante acessível. Sai sempre um grupo sobre História de Portugal, que geralmente é sempre sobre o Estado Novo. Houve excepções, e nestes casos era sobre a Primeira República. A matéria que sai é apenas a do 12.º ano. Se tiverem o hábito de fazer resumos vossos para estudarem para os testes, eles são uma boa ajuda para estudar para o exame. Por isso, se os fizerem certifiquem-se que os guardam  organizam para na altura do exame os terem sempre à mão. Os livros de ajuda para o exame são bastante utéis (para os exames de todas as disciplinas) e o da Porto Editora até é bastante bom porque nos fornece informação extra que não encontramos nos manuais. Não sei em relação aos outros livros de ajuda, mas este é bastante bom.

Inglês:

  • 10.º e 11.º anos: juntei os dois anos porque considero que não há grande diferença entre um e outro. E também não considero que tenha sido muito mais díficil que no 8.º ou 9.ºanos. É certo que se aprendem novos tempos verbais, mas honestamente, se todos os tempos verbais de todas as línguas fossem como os de Inglês seria muito mais fácil aprender novas línguas. Em ambos os anos, todos os períodos têm-se de fazer apresentações orais, quer sejam individuais ou em grupo; os professores falam unicamente em Inglês, a não ser em alguns casos que seja mais complicado explicar algo; e os testes também aumenta de dificuldade: as perguntas de interpretação têm de ser melhor fundamentadas, os exercícios de gramática exigem um pouco mais. Os temas, que me lembre, não diferem muito dos do Básico: aquecimento global, poluição, cinema, televisão, trabalho/emprego, escola…

Filosofia:

  • 10.º e 11.º anos: também juntei estes dois anos porque também não considero haver uma grande mundança de um ano para o outro. Talvez haja um aumento de exigência do 10.º para o 11.º ano, mas não é muito evidente. Esta disciplina vai exigir que tenhamos um novo tipo de escrita, isto é, vamos ter de passar a escreve de uma forma bastante mais cuidada do que, provavelmente, estariamos habituados. Mas penso que isto depende dos professores. A minha professora do 10.º exigia um nível muito mais elevado de escrita do que a minha professora do 11.º ano, que mais parecia que queria que escrevessemos como se ainda estivessemos no 1.º Ciclo. É uma disciplina que exige um bom poder de argumentação e que, acima de tudo tem de ser bem compreendida. Esta disciplina pode não ser directamente importante para o futuro da maior parte das pessoas, mas ajuda-nos bastante a desenvolver o nosso pensamente, que é bastante importante para qualquer actividade na nossa vida futura.

Francês (opção):

  • 10.º e 11.º anos: entre estes dois anos não há grande diferença. Mas entre o Básico e o Secundário penso que seja das disciplinas em que se nota a maior diferença. No 10.º e 11.º anos é-nos exigido bastantes conhecimentos que, tecnicamente, deviamos ter adquirido no Básico. No caso da minha turma toda, incluído eu, não tivemos grandes professores antes do 10.º ano, por isso não sabiamos muita coisa. Pode parecer um grande salto do 9.º para o 10.º ano, mas no fundo não o é. O problema é que no Básico não nos ensinam grande coisa, ou pelo menos da maneira que devia ser. No Secundário os professores vão optar por falar em Francês, tal como acontece em Inglês; também se aprende novos tempos verbais, por exemplo. Os temas abordados também não são muito diferentes dos de Inglês.
  • exame: considero que o exame (2010) foi fácil, tal como os outros anteriores. Não temos de escrever muito, se não contarmos com a produção de texto na última parte do exame. As perguntas de interpretação são essencialmente à base de escolha múltipla, que não são nada dificéis de fazer. Não existe propriamente um grupo de gramática, como seria de esperar, a gramática está incluida no exame todo quando se tem de escrever.

MACS (opção):

  • 10.º ano: também se pode chamar a MACS Matemática C. Ao contrário de Matemática A que aborda de uma forma geral tudo, e concentra-se e equações, por exemplo, MACS centra-se basicamente em volta de estatística e métodos eleitorais. Neste ano, estuda-se os vários métodos eleitorais (que devo dizer que são super facéis, mas algo trabalhosos) e métodos de partilha (igualmente facéis e trabalhosos). E também se começa a abordar a estatística. Achei que fosse uma disciplina consideravelmente fácil em que se consegue obter notas altas.
  • 11.º ano: neste ano, a matéria dificulta e a disciplina torna-se mais exigente. Este ano é só essencialmente estatística. Contudo, com esforço e prático consegue-se manter as notas altas do ano anterior.
  • exame: honestamente, o exame (2010) não me correu lá muito bem, tive uma nota razoável, no mínimo, mas que mesmo assim me fez descer a nota final num valor. Comparado com os exames anteriores, penso que este foi mais difícil. Os exames desde 2006 foram bastante fáceis e acessiveis, visto que incluiam os aspectos mais fáceis da disciplina. Mas mesmo assim, é sempre uma espécie de questão de sorte nos exames… A matéria que sai é a matéria dos dois anos.

Psicologia B (opção):

  • 12.º ano: gostei bastante desta disciplina, é pena ter sido dada pela professora que foi, mas pronto. Cada professor tem o seu método, há quem comece pela parte das teorias, há quem ache melhor deixar essa parte para o último período. Eu comecei por estudar alguns aspectos da Psicologia como genética e neurociência (basicamente estudámos a constituição do cérebro, quais eram as funções de cada parte do cérebro). Depois passámos ao estudo da cultura, que se relaciona directamente com o que se estuda em Sociologia. Também se estuda os relacionamentos entre os bebés/crianças com a sua mãe e as relações com os outros. É uma disciplina bastante interessante. A última parte tem a ver com a história da Psicologia e como ela evoluiu, e inclui bastantes teorias que tem de ser muito bem sabidas. Esta parte é uma autêntica dor de cabeça porque são várias as teorias, contudo, nem todas saem para os testes, visto que umas têm muito mais importância que outras.

Sociologia (opção):

  • 12.º ano: dei-me bastante bem com esta disciplina, por isso no meu ponto de vista ela é bastante fácil, sendo uma das disciplinas em que se consegue notas altas. A matéria é bastante interessante, ser for realmente bem dada pelo professor e não é difícil de se intender. Tem-se de saber umas quantas definições, mas para além disso tem-se de ter um bom poder argumentativo pois 90% das questões nos testes involve resolução de problemas, em que se tem de explicar porque a utilização de um método, em detrimento de outro; por exemplo. Abranje-se muitos aspectos do estudo da cultura, métodos de investigação. É uma disciplina que proporciona vários trabalhos de grupo, essencialmente.

Um aspecto que se realça em todas as disciplinas, é que o método para estudar NÃO É DECORAR O LIVRO, MAS SIM COMPREENDER OS CONTEÚDOS.

Nota: isto é apenas a minha visão de cada disciplina que fiz no Secundário. Cada um tem a sua própria experiência, e a tua poderá ser completamente diferente. Por isso, o que para mim pode ter sido complicado ou difiícl poderá ser para ti fácil, e vice-versa.

Que acharam das dicas?
Se quiserem saber mais alguma coisa, é só perguntarem.

13 thoughts on “Ensino Secundário – Dicas #2

  1. Tam says:

    Vou frequentar o 12º ano e como disciplinas de opção escolhi sociologia e aplicações informáticas. Escolhi sociologia em vez de psicologia pois disseram-me que era menos trabalhoso e mais facil de tirar boas notas (para ajudar a elevar a média). Concordas ou devo mudar para psicologia? Preciso mesmo de tirar muito boa nota.

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    • Maria says:

      Daquilo que eu me lembro do meu 12º ano, eu também diria que Sociologia é mais fácil para tirar boas notas, comparativamente a Psicologia. No meu caso foi mesmo essa a situação, embora sejam duas disciplinas que se façam bem. Mas no final não deixa de ser uma conclusão subjectiva, pois depende da pessoa em questão e dos professores que leccionam ambas as disciplinas. De qualquer modo, penso que não irás ter, no geral, problemas com Sociologia. Boa sorte para este ano! Espero que corra tudo bem🙂

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  2. Matilde says:

    Olá, não sei se vais ver isto, mas vou perguntar na mesma. Vou para o 10º ano e queria saber em que disciplinas se escreve muito e em que disciplinas não se escreve quase nada. Tenho que organizar os cadernos para o ano letivo e não sei bem como vou fazer… Espero que ajudes🙂

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    • Maria says:

      Olá Matilde, que área é que vais frequentar no Secundário? Assim poderei ser mais específica na minha resposta. Mas para já, no que diz respeito às disciplinas da geral, tendo em conta a minha experiência, eu basicamente escrevi muito mais a Filosofia, até porque faziamos exercícios em todas as aulas. Eu nunca fui muito de escrever a Português e muitas vezes tirava umas notas aqui e ali e apontava-as directamente no livro. Inglês é que já não me lembro de todo, mas provavelmente também nunca escrevi muito. Eu durante o Secundário nunca fui muito de tirar notas e escrever muito, a não ser que os professores escrevessem muita coisa no quadro.

      Uma boa maneira de pensares em como organizar os teus cadernos, se o quiseres fazer já antes de as aulas começarem, é pensares nas disciplinas que fizeste até ao 9º ano e cujas continuações irás ter no Secundário, por exemplo Português e Inglês, e veres quais foram aquelas em que escreveste mais ou menos. Ainda que o nível seja mais exigente no Secundário, penso que a quantidade que escreviamos até ao 9º ano irá continuar a ser a mesma no Secundário.

      Outra maneira é veres como correm as tuas primeiras duas semanas. Dependendo do que escreveres nesses dias poderás ver como é que deverás organizar os teus cadernos e afins.

      Se quiseres uma resposta mais específica e fores para Humanidades, Línguas, Ciências Humanas (ou lá como é que a área se chama agora), eu terei todo o gosto em ajudar-te pois foi nessa área que eu fiz o meu Secundário. Em relação às outras áreas só te poderei dar uma opinião mais subjectiva e talvez pouco correcta, mas também o poderei fazer se assim quiseres.

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    • Maria says:

      Olá. É uma questão que depende dos professores e dos próprios alunos. Mas por experiência própria, sim, é uma disciplina em que se escreve muito.

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